Dona Ana me atendeu como se estivesse “morta” de cansada (era somente 20:00 no Brasil).
Ela me contou que tia Gel (que já não estava muito bem quando sai do Brasil) havia piorado muito, e estava internada no hospital. Atualizou-me de toda a situação... Ela que tem acompanhado o caso de perto, tem sofrido muito.
Senti muito por não poder ser mais o ombro que ela tinha em casa...
Gel, seu neto, Henrique, e eu no VIII Hot Dog Festival (2004)
Gel é uma pessoa de personalidade marcante. Lembro sempre dela como uma pessoa de opinião própria, muitas vezes diferente da de meu tio Zé (seu marido) e de outros membros da família. O casal sempre teve muita preocupação com o bem estar da família como um todo... Um exemplo de dedicação neste aspecto.
Infelizmente, o câncer pode ser uma doença implacável. Principalmente quando ataca regiões de nosso corpo em que cirurgias ou tratamentos mais eficazes não podem ser aplicados.
Meu pai (o qual pouco me lembro) também foi vitima de câncer (de pulmão, por causa de cigarro). Morreu quando eu tinha apenas oito anos de idade. Não tenho muitas lembranças do tratamento de meu pai porque minha mãe achou por bem que eu fosse morar com minha Dinda enquanto ele fazia a quimioterapia. Lembro apenas de ir almoçar uma vez em casa... E vê-lo bem magro (bem mais do que ele era normalmente), careca... Lembro da bandeja de refeição azul que ficava perto da cama...
Hoje, falando com Lai, fiquei sabendo que Dona Ana havia ido ao hospital... Bom sinal não é... Lembro dos momentos que passei parecidos com esse... Onde eu largava tudo pra ficar mais perto de Dona Ana, acompanhando ela no que fosse necessário, servindo de motorista, lembrando a ela de fazer suas refeições, etc.
Queria estar mais perto.
Parei um pouco pra pensar em Gel... Veio aquela sensação de tristeza, a vontade de chorar... Senti falta de um ombro por aqui também...
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Escrevendo estes últimos parágrafos enquanto falava com minha irmã Gabi pelo Skype... Ouvi o telefone de Gabi tocar... Ela atendeu... Chorou um pouco... E me contou que Gel havia falecido...
Gabi me ajudou a lembrar dos momentos (às vezes difíceis para nós), onde ela sempre estava presente, como o nascimento de Laís, minha sobrinha (Gabi teve Lai quando tinha apenas 16 anos, e Gel, como médica, pode acompanhar o parto)...
Gabi também não está tão perto... Mora em Ilhéus, longe de Salvador... Deve estar mais acostumada que eu a essa sensação de perda estando longe...
Tenho a certeza que para todos da família fica o exemplo de pessoa que ela era.

Zé e Gel com seus netos
Um comentário:
Grande Tuca,
Acabei de falar com tio Zé e ele me falou que tinhas postado algo no seu Blog quanto a tia Gel. Concordo plenamente primo: estar longe nesse momentos é muito, muito difícil. Tia Gel, uma mulher maravilhosa, de uma força de espírito descomunal, é uma figura como nenhuma outra que já conheci. E sei que essa é uma impressão que compartilhamos entre nós e com mais dezenas de pessoas. Vamos caminhando com essas marcas/memórias positivas que só uma pessoa extraordinária como ela poderiam nos proporcionar.
Um grande abraço e saudades do primo,
Sandro
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